Procuro nos olhares
a infância perene.
Na tocaia,
na surdina,
à espreita,
espero uma frase, talvez uma palavra,
que, num bote certeiro,
abocanhe minha memória,
numa torrente de risos
e libere sonhos que já tivemos.
Nos corredores infindáveis das lembranças,
os pensamentos se entrelaçam
como fios que conduzem para lugares
que já estivemos.
Corremos.
Corremos atrás de bolas.
Corremos dos outros.
Corremos de nós mesmos.
Corremos porque precisamos correr.
O cabelo está molhado,
o suor retilíneo pinga da testa.
Esfolamos joelhos já esfolados.
Só o agora é que vale.
É atalho entre aqui e antes,
depois e ali.
O tempo perde completamente o sentido.
A gente nem liga,
só respira.
Procuro nos olhares.

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