– O senhor, por favor, poderia me levar para a rua perto da...
No elevador, dou passagem a outro senhor e na saída, gentilmente, seguro a porta.
– Boa noite, senhora!
“Senhora”, para a menina do correio.
“Senhor” para o garoto da padaria.
“Senhora” para a moça da bilheteria do cinema.
Excesso de educação?
Não.
Invariavelmente tenho a impressão de ser sempre o mais novo.
Os anos insistiram em passar.
Algumas dores apareceram.
Minha cabeça sempre tem chegado antes dos meus pés.
O filhos estão grandes.
Uns retratos amarelaram.
Lembranças se acumulam, diariamente, em progressão geométrica.
Continuo de tênis, camiseta e bermuda.
Desenhando...
Como nos cinco, nos quinze, nos vinte...
Cinquenta.
Acho que é um número maior do que o meu...
– Não é não, senhor?!
Tamanho GGG.
Abro a porta do elevador.
Tropeço numa moça.
– Desculpa!
– Não foi nada, senhor.













