Cinco anos.
Na tevê, vejo que o Papai Noel pousará no Parque do Ibirapuera no próximo domingo e distribuirá presentes.
Na tarde seguinte, em profundo êxtase, corro para contar a boa nova para os meus colegas da escola.
S., o mais sabido da turma, com dedo em riste me avisa: “Papai Noel não existe! E ainda por cima você é judeu, não tem nada a ver com isso!”. Fiquei quieto, inerte, feito uma estátua do Jardim da Luz que tanto adorava. Refleti por alguns segundos e cheguei à óbvia conclusão de que o bom velhinho existia sim, tinha visto pelo menos uns quatro deles distribuindo papelzinhos em portas de lojas da rua José Paulino naquela mesma manhã.
Durante muito tempo, acreditei na sua existência, apesar de nunca ter ganhado nenhum presente de Natal; afinal, como S. me alertou, sou judeu e não tinha nada a ver com isso...

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