Vinte minutos para o sinal.
Pelos menos, era o que dizia
o meu cálculo mental.
Na porta da escola, o carrinho!
Nele cabia o mundo inteirinho.
De pipoca-isopor da
embalagem cor-de-rosa
a chiclete com tatuagem
e mil bugigangas,
uma verdadeira miragem.
E este sinal que não tocava!
A minha atenção
agora só passeava.
A aula evaporou,
o universo todo parou.
Na minha cabeça,
um jogo de adivinhar.
O que do carrinho comprar?
Finalmente o sinal disparou,
em disparada também
a turma voou.
No carrinho, todos apinhados
como sardinhas em lata,
lado a lado, esmagados.
A caixinha de surpresa
era o objetivo principal.
Para comprar,
entreguei as moedas
com esforço descomunal.
Enfim, o grande momento do dia:
– Um anel?!
Era o centésimo que vinha.
Pequena decepção invadia.
Agora era esperar
pelo próximo dia.

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