Gosto do lusco-fusco.
Da expressão, das palavras,
do jeito que combinam,
encaixam, conversam.
Gosto do momento.
Do não-dia,
da não-noite.
Da transição.
Do que não deixou de ser,
do que ainda não se tornou.
Gosto da quase ausência,
do toque quase intangível.
Do estado que não é físico,
de seu quase movimento,
de sua quase imobilidade.
Gosto daquilo que não é zero
e, tampouco, é um.
Da cor da luz que não nasceu,
e que insiste em morrer.
Gosto do semi-imanente
que espreita a fresta
da fina lâmina da existência.
Semitranscendência.
Gosto do lusco-fusco
porque é,
porque não é.

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