segunda-feira, 30 de abril de 2018

Em casa

Entrei em casa.
Abri a tênue porta
que liga sotaques a cheiro
de vareniques e vodca.
Imediatamente, ouvi o iídiche.
Palavras soltas sem sentido imediato.
Quando se juntam me convidam
para uma suave dança,
sem tempo, sem lugar.
Sou par neste ritmo contínuo.
menino, de mãos dadas com os avós,
ali no anteontem das esquinas
dos que desconhecem futuros e,
tentam, em vão, esquecer passados.
Ouvir o iídiche é ter
a certeza dos risos de piadas cotidianas,
a comoção das preces sussurradas
e o espanto das verdades camufladas de filosofias.
Ouvir o iídiche é estar em casa,
num lugar sem lugar, num tempo sem tempo.
Ouvir o iídiche é cheiro de vareniques
e sotaque de vodca.

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